Os números são, no mínimo, bastante atraentes, para não dizer surpreendentes. O próprio mercado não apostava em alta tão acentuada. No início da noite de ontem, a Vale divulgou seu tão esperado balanço financeiro.Seu lucro líquido cresceu 130,4% no segundo trimestre em relação ao primeiro. Os analistas esperavam aumento em torno de 80%.
Se o lucro líquido for medido contra o mesmo período de 2009, ano ruim para a empresa, saltou 344,2%.
Ele escalou alguns bilhões, chegando a R$ 6,635 bilhões no trimestre.
O bom resultado deve-se ao novo sistema de colocar preço, ou, como apelidou o mercado, de precificação. Antes anual, a prática tornou-se trimestral para o minério de ferro vendido pela Vale.
A Usiminas, que depende da matéria prima, pretende adotar também sistema trimestral de ajuste de preços junto a seus clientes.
Trata-se, segundo Sérgio Leite de Andrade, vice-presidente de negócios da empresa, "uma realidade no setor do aço".
O balanço da Usiminas, também divulgado ontem, mostra crescimento de 49% na receita líquida em relação ao mesmo período do ano passado. A margem de lucro bruto subiu de 7,9% para 23%.
Com o aquecimento do mercado de minério, esquentado em grande parte pelas siderúrgicas chinesas, as mineradoras brasileiras devem registrar um faturamento recorde este ano, 25% superior ao pico visto em 2008.
Suas vendas, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) especialmente para o Brasil Econômico, baterão em US$ 35 bilhões.
O saldo da balança comercial do setor, de US$ 18 bilhões, é maior do que o saldo do comércio internacional brasileiro como um todo, de US$ 16 bilhões.
Se todos os investimentos previstos forem realmente levados a cabo, a produção nacional de minério de ferro deve dobrar até 2016, chegando a 670 milhões de toneladas.