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 Porto Alegre, 10 de setembro de 2010

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10/3/2010

Apuração e atualização de custos do transporte rodoviário de carga

Economia

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Confira uma compilação de textos obtidos no site da FIPE, responsável até julho de 2007 pelo cálculo do INCT, mostrando como são apurados os custos do transporte rodoviário de carga, o que é e para que serve um número-índice, o que os números-índices FIPE/NTC acompanham e quais são os principais números-índices da Fipe/NTC.

Como são apurados os custos do transporte rodoviário de carga?

A Fipe acompanha os custos de uma empresa virtual que foram obtidos através de uma média dos custos das empresas do setor. Essa empresa virtual é uma empresa média representativa do setor. Existe uma planilha onde constam todos os custos da empresa virtual que são agrupados segundo uma fórmula que fornece o custo total. A fórmula é a seguinte:


CUSTO TOTAL = CUSTO PESO + CUSTO VALOR + GRIS + IMPOSTOS

IMPOSTOS = percentual referente ao PIS e ao Cofins aplicado sobre o custo peso

GRIS = custo referente ao gerenciamento de risco que é obtido através de um percentual aplicado sobre o valor da tonelada da mercadoria transportada

CUSTO VALOR = custos referentes à retenção ou transferências de perdas incorridas no transporte da mercadoria que é obtido através de um percentual aplicado sobre o valor da tonelada da mercadoria transportada

CUSTO PESO = A + B.X + C. É o custo relacionado ao peso da mercadoria, onde:

A = [ ( CF / H ) . TCD ] / CAP
É o custo do tempo gasto para carregar, descarregar e esperar carga

B = { [ CF / ( H . V ) ] + CV } / CAP
É o custo relacionado à transferência da mercadoria que deve ser multiplicado por X, que é a distância percorrida

C = c . ( DAT / TEXP )
São as despesas indiretas da transportadora (despesas administrativas e de terminais).

onde:
CF = custo fixo (R$)
H = número de horas trabalhadas por mês (h)
TCD = tempo gasto para carregar, descarregar e esperar carga (h)
CAP = capacidade média de carga efetiva (t)
V = velocidade média do veículo (km/h)
CV = custo variável (R$/km)
DAT = despesas administrativas e de terminais (R$)
TEXP = tonelagem expedida (t)
c = coeficiente do uso de terminais

Essas fórmulas valem sempre, cabendo apenas algumas ressalvas:
1 - no transporte de carga lotação não cabe a aplicação da variável c pois a carga não passa pelos terminais da empresa e as despesas indiretas são chamadas apenas de despesas administrativas;
2 - na operação urbana, os custos referentes a impostos, gerenciamento de riscos, custo valor e despesas indiretas já estão computados nos custos de transferência, portanto não entram na fórmula.

O que é e para que serve um número-índice?

É o resultado do encadeamento de variações percentuais ao longo do tempo de alguma coisa que se queira medir (neste caso, os custos do transporte rodoviário de carga). Os números-índices são bastante utilizados porque facilitam o cálculo de variações percentuais acumuladas entre determinados períodos do tempo. Eles têm base igual a 100 em algum período e a partir daí basta aplicar a variação percentual obtida no mês seguinte sobre o número-índice do mês anterior.

Exemplo: suponha que você tenha fixado uma tarifa de R$ 250,00 por tonelada para o seu cliente em janeiro de 2004. O preço de R$ 250,00 será a base 100 do índice. Se em fevereiro de 2004 seus custos tiverem aumentado 1,5% e em março os custos aumentaram 1%, os números-índices serão: Fevereiro = 100 + (1,5% x 100) = 101,50. Março = 101,50 + (1% x 101,50) = 102,52.

Agora você quer saber qual o percentual que deve ser aplicado sobre a tarifa de R$ 250,00 para se chegar ao valor atualizado em março de 2004. Basta calcular a variação percentual dos números-índices entre o mês de janeiro de 2004 e o mês de março de 2004 da seguinte maneira: [(março / janeiro) - 1] x 100. No nosso exemplo: [(102,52 / 100) -1] x 100 = 2,52%. Este é o percentual que deve ser aplicado sobre R$ 250,00 para atualizar o valor para o mês de março de 2004. Isso é bastante útil quando os períodos de comparação se tornam mais longos.

Quais são os números-índices da FIPE/NTC?

A Fipe divulga quatro números-índices: um para Carga Lotação (INCTL) e três para Carga Fracionada (INCTF, INCTFR e INCTFOU).

INCTL: acompanha os custos envolvidos no transporte de Carga Lotação.

INCTFOU: acompanha os custos envolvidos na coleta ou entrega (operação urbana) da Carga Fracionada.

INCTFR: acompanha os custos envolvidos na transferência (percurso rodoviário) da Carga Fracionada.

INCTF: acompanha a soma dos custos envolvidos na coleta ou entrega e na transferência da Carga Fracionada.

É possível compor números-índices para todas as classes de percurso existentes. Mas os números-índices acima referem-se às classes mais freqüentes de percurso (distâncias médias), que são:

INCTL e INCTFR: percurso de 751 a 800 km

INCTFOU: percurso de 31 a 40 km

INCTF: percurso de 31 a 40 km para a coleta ou entrega e percurso de 751 a 800 km para a transferência.

Além das distâncias médias, a Fipe divulga números-índices para distâncias muito curtas, curtas, longas e muito longas. Utilize o número-índice mais adequado à sua operação.

O que os números-índices FIPE/NTC acompanham?

A Fipe acompanha mensalmente os custos do transporte rodoviário de Carga Lotação e de Carga Fracionada para várias classes de percurso.

A carga é denominada Lotação quando a mercadoria é suficiente para lotar um caminhão; neste caso a transportadora encaminha um veículo até o depósito do embarcador, realiza a operação de carregamento e transfere a carga diretamente ao seu destino.

Já a chamada Carga Fracionada é aquela que é coletada no depósito do embarcador, levada a um terminal da empresa transportadora e somente depois transferida ao seu destino. Isso acontece porque as transportadoras visam racionalizar suas operações, minimizando a ociosidade existente pelo fato de cada cliente em particular não despachar carga suficiente para lotar um caminhão.

Daí o custo ser maior para se transportar Carga Fracionada, pois dependendo do destino da carga, além de ser coletada no embarcador e levada à transportadora, poderá ser manuseada mais vezes nos terminais da transportadora ao longo do percurso.

Desde julho de 2007, o INCT não é mais calculado pela Fipe.

Para saber mais sobre esses assunto assine o Portal Guia do Transportador e faça os cursos da Escola de Transportes.


FONTE: FIPE

 

Por Jornal do Transportador - Guia do Transportador

 

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