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30/7/2010

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Está muito claro que no segundo trimestre deste ano a economia brasileira perdeu fôlego, de tal forma que pode até mesmo ter declinado seu PIB com relação ao primeiro trimestre.

Não é de surpreender, pois houve um excessivo crescimento nos primeiros meses de 2010, o que confundiu os analistas.

Muitos acharam que a evolução da economia nesse período passou a refletir um novo estágio das forças produtivas do país que, nesse sentido, teria transitado para um "crescimento chinês".

No entanto, tratou-se de um trimestre atípico porque muitos fatores se apresentaram nesse período e não seriam reproduzidos posteriormente.

O retorno do crédito fácil e com prazos maiores para as prestações foi o principal dentre eles, mas aí também preponderaram causas como os incentivos para a compra de automóveis vigentes até o final de março.

A indústria e o comércio se beneficiaram enormemente disso, o que impulsionou de forma concentrada no tempo o ritmo de atividade, gerando o falso crescimento chinês.

Os sinais do segundo trimestre não deixam margem a dúvida. Um indicador de nível de atividade, o movimento de veículos pesados nas estradas brasileiras, caiu 0,4%, segundo dados dessazonalizados.

Somente em junho com relação a maio do corrente ano a queda foi de 2,5%, indicando que o processo pode estar se agravando.

Para o comércio, de acordo com a Associação Comercial de São Paulo, os dados preliminares são de que houve uma queda nas vendas a prazo de 1,7% no segundo trimestre com relação ao primeiro e, quanto às vendas à vista, estas ficaram estagnadas no mesmo período.

Já no importante setor industrial de automóveis, o trimestre em tela registrou queda de produção de 3,1% após o término dos incentivos.

Na mesma direção, o indicador de nível de atividade da Fiesp acusou retração de 1,9% em junho, denotando que, para o setor industrial brasileiro como um todo, o segundo trimestre de 2010 foi de fato significativamente pior do que o primeiro trimestre.

A princípio, não devemos temer a queda de ritmo da economia, que apenas refletiria uma transferência para o primeiro trimestre de um dinamismo que teria se apresentado de forma mais homogênea ao longo da primeira metade do corrente ano.

Sem os "fatores extras" do início do ano, devemos esperar uma evolução mais equilibrada no segundo semestre, de forma que na média o crescimento do PIB em 2010 chegue a algo entre 6,5% e 7%.

Será um bom crescimento, passível de cuidados a respeito de seu impacto sobre a capacidade de produção de alguns setores, mas nada explosivo como parecia ser à primeira vista.

Mas o outro lado preocupa: a autoridade monetária, que aumentou fortemente as taxas de juros nos últimos meses, deve estar atenta para avaliar se não abusou na dose do remédio.

Na dúvida, seria mais seguro interromper desde já o ciclo de aperto monetário, pois lá fora a expectativa é de baixo crescimento das economias desenvolvidas e aqui dentro o grau de utilização da capacidade parou de aumentar.

Júlio Gomes de Almeida é professor de economia da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda

 

Por Brasil Econômico - Júlio Gomes de Almeida **

 

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